Um dos desafios que mais me motivam nos últimos anos é a questão da aprendizagem. Confesso, apesar de ser extremamente curioso e leitor voraz, nunca fui exatamente um bom aluno, por isso, quando a oportunidade de "dar aulas" bateu à minha porta, a primeira reação foi um enorme susto. Sinceramente, acreditava que não duraria nem um semestre, e quase não durei mesmo. Entre erros e acertos – muito mais erros para falar a verdade – aprendi muito sobre mim como pessoa e profissional e, grande parte desse aprendizado, devo ao projeto da Revista Laboratório do Curso de Jornalismo da UNIVAP, o Foca, para os íntimos.

A disciplina de Editoração Gráfica em Jornalismo foi minha primeira, e com ela pude relembrar meu início das artes gráficas como diagramador, há uns 20 anos atrás. Inicialmente a ideia era dar continuidade no que já era feito, um jornal standard com 8 páginas, capa colorida e páginas internas em preto e branco. No entanto, ao abordar a primeira turma em relação ao que esperavam do Foca, percebi que não existia sentimento de pertencimento dos alunos com o formato e, principalmente, com a distribuição dos artigos dentro da publicação. Na verdade, notei até uma rivalidade pela "capa colorida" e as matérias de "cabeça de página".






A primeira "nova geração do Foca", como half standard, j
em imagens "estouradas" e a inserção de pequenos infográficos.


Decidido a mudar essa relação entre os alunos e o Foca, iniciei uma pesquisa com a turma, e demais alunos/leitores do jornal e levantei dados para o novo projeto gráfico. Cores, excesso de matérias por página, poucas fotos e ilustrações, formato foram os apontamentos encontrados. Com essas informações fui até a coordenação do curso e descobri o que já imaginava, a verba não atenderia essas mudanças. Em contato com algumas gráficas consegui, mantendo os valores, alterar o formato para half standard com 12 páginas, assim, atender às necessidades de um leiaute mais limpo, com mais espaço para imagens e, principalmente, uma matéria por página.
Mas, ainda não era o suficiente. Debruçado novamente sobre o problema, e sempre dividindo muito as soluções de aprendizagem com os alunos, chegamos a uma ideia um tanto quanto experimental. Mais uma vez de olho na verba, trabalharíamos não a capa colorida e demais páginas em preto e branco, mas um jornal todo em duas cores, utilizando sempre o preto e uma "cor de máquina", já que cores especiais sairiam do orçamento. Enfim, chegávamos a primeira grande alteração no Jornal Laboratório em anos de existência. A publicação foi muito bem recebida e os alunos sentiam um equilíbrio maior na divisão das páginas, o que gerou um grande engajamento com a publicação.
Um ano e meio depois precisei me despedir da disciplina e da universidade para me dedicar ao nascimento da minha segunda filha. Nesse período de um ano e seis meses meu colega Vinicius Coquete assumiu a direção de arte do Foca, mais uma vez privilegiando a interação com os alunos, fez experimentos divertidos com a proposta de duas cores e do novo formato.


No segundo ano do novo formato a experimentação aumentou, 
abrindo espaço para tipografias mais contemporâneas e enfatizando 
a exploração do sistema de duas cores, principalmente nas capas.







Quando voltei a "dar aulas" lá estava, mais uma vez o Foca em minhas mãos. Uma nova turma, novas percepções e a inquietação de sempre. Alguns alunos tem a capacidade de te desafiar imensamente, essa talvez seja a maior recompensa para um professor. Em meio às provocações uma aluna me disse "Duvido você fazer esse Foca colorido". E porque não?








Em 2017, retomando a frente da disciplina de editoração gráfica em jornalismo, juntamente com os alunos, novas alterações na identidade visual e projeto gráfico foram inseridos, com destaque especial para o logotipo, maior ousadia tipográfica e o aumento da inserção de ilustrações e colagens digitais.








Lá vamos nós mais uma vez... Contato com gráfica, orçamento, estudos de leiaute com os alunos, verificação das verbas, análise por parte do professor responsável pela linha editorial e, sempre, alunos envolvidos em todos o processo.

Em março de 2018 tínhamos, então, duas possibilidades de formato e quantidade de páginas. Uma votação elegeu um formato de revista, bem menor que o anterior e com 32 páginas. Uma mudança e tanto, embasada na facilidade dos alunos em levar a publicação pra lá e pra cá, na agilidade de manuseio e leitura em qualquer lugar e, principalmente, no apelo e nas inúmeras possibilidades geradas pelo uso das cores.

Foi assim que o Jornal Foca em Foco se transformou em Revista Foca e me proporcionou – espero que aos alunos também – um aprendizado imenso, não só sobre publicações, técnicas e possibilidades gráficas, mas, principalmente nas relações a frente de uma turma de alunos se descobrindo jornalistas e se apaixonando pelo saga da informação sendo disposta dentro da hierarquia de uma página para se transformar em um publicação, seja ela um jornal, uma revista ou, mais adiante, novos formatos ainda nem imaginados.








As quatro capas da revista Foca, as cores intensificam a linguagem mais jovem e abrem diversas possibilidade de integração entre colaboradores, como a capa da primeira edição com registro de São José dos Campos pelo olhar do fotógrafo Gustavo Torres e na última edição a ilustração de Elias Sabino, aluno de RTV da Univap.


Nessa saga abordamos toda a teoria e prática do design editorial, técnicas de impressão, cores e tudo mais que envolve o universo imenso de criar interfaces que valorizem a informação, pensando na melhoria da experiência do mesmo durante a leitura. Também abordamos a interação e integração de uma equipe como um coletivo em busca da superação da aprendizagem.








As páginas internas, em cores, refletem exatamente o alfabeto visual dos alunos da instituição. Diverso, cheio de referências e colaborações. Do leiaute mais conservador a colagens visuais provocativas e irreverentes, a experimentação dentro do Foca busca resgatar e despertar o poder da hierarquia da informação em publicações impressas.


Leiam o Foca, impresso ou na versão online (nosso próximo desafio é aumentar essa experiência de leitura) e saibam que por trás de cada página existe um esforço coletivo imenso e anseios individuais infinitos, os meus, os dos alunos e de cada um que participa em cada edição.

Por toda a aprendizagem envolvida deixo meu agradecimento a cada um dos alunos que trabalharam nessas edições, ao Vinicius Coquete que esteve presente nessa evolução constante e, principalmente ao Fredy Cunha e a Vânia Braz de Oliveira, Editor Chefe do Jornal e Coordenadora do Curso de Jornalismo, além de todos os professores da UNIVAP, que sempre receberam com entusiasmo cada uma das mudanças.








Uma leiaute com identidade forte, parte de um projeto gráfico f
eito a muitas mãos e pensado como suporte para visões diversas 
e opiniões múltiplas sobre o novo jornalismo.
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